Dirigido por David Fincher, que só isso já é mais que suficiente para conferir o filme, afinal estamos falando do diretor de obras como Seven, Clube da Luta, O Quarto do Pânico e Zodíaco. Assim como no livro e na trilogia original, o filme se passa na Suécia e tras personagens, fortes, fracos, interessantes, diálogos adultos, tudo isso numa história de investigação absolutamente complexa e satisfatória, mergulhada num clima tenso típico dos filmes de Fincher.
Histórias Cruzadas (The Help) filme que está entre os indicados ao Oscar de melhor filme, e que tinha como premissa um alerta ao racismo, na verdade acaba sendo mais racista que as socialites sulistas que vemos no filme. Apesar da personagem Skeeter ser uma menina adorável e Viola Davis nos entregar uma atuação digna de premiação, não há como deixar para trás os momentos reprováveis do filme, ao mesmo tempo que ele ‘simula’ criticar o racismo, ele coloca os brancos como sendo os salvadores. A mãe de uma personagem é vista com bons olhos porque reprova as atitudes da filha racista, mas logo depois aparece se refrescando com a empregada negra lhe abanando, a mãe de Skeeter demite sua empregada negra por pressão de amigas, mas depois se arrepende no final e tudo está bem, enfim, triste por perceber que o filme parece mais preocupado em defender a honra dos brancos do que de fato denunciar o racismo deles.
Quem já viu o filme perceberá que há certa semelhança ou no mínimo um clima em Tintim que lembra muito Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, foi exatamente essa semelhança já apontada há muitos anos atrás que levou Spielberg a se interessar pelo personagem. O projeto de levar o famoso personagem de Hergé para o cinema começou a ganhar força depois que Spielberg percebeu que a tecnologia do motion capture já estava bastante amadurecida e dessa forma, se juntou a Peter Jackson (outro apaixonado pelo personagem) para iniciar os trabalhos da adaptação.
Spielberg sempre soube que Tintim era um personagem famoso na Europa, mas praticamente desconhecido nos Estados Unidos, como atualmente as bilheterias mundiais já não são tão dependentes assim do mercado norte-americano, ele se certificou de que os roteiristas fossem europeus para que os mesmos fossem mais capazes de transpor o clima das HQ’s de Hergé para o cinema, e sendo assim, se uniu a Edgar Wright (roteirista do excepcional Scott Pilgrim), Steven Moffat (roteirista de séries de TV como Sherlock e Dr. Who) e por fim Joe Cornish, decisão mais do que acertada do diretor.
Praticamente nunca vi os desenhos animados de Tintim que passaram por muito tempo na TV brasileira no canal Cultura, lembro-me de ter lido há pelo menos uns 15 anos atrás duas HQ’s do personagem, Tintim no País do Ouro Negro e O Caranguejo das Pinças de Ouro essa última é a que apresenta nas HQ’s o engraçadíssimo personagem do Capitão Haddock (no filme com vozes e captura de movimento de Andy Serkys) e que junto com o exemplar O Segredo do Licorne, serviram de base para toda a história do filme, que nada mais é que Tintim se juntando ao Capitão Haddock para descobrir o segredo do navio Unicórnio comandado pelo ancestral de Haddock e que naufragou após uma batalha com Rackham – O terrível.
O roteiro do filme é bastante fluido e assim como Indiana Jones, tem cenas de ação praticamente a cada quinze minutos, mal há tempo para respirar, tudo intercalado com momentos cômicos inseridos de forma orgânica. A tecnologia de captura de movimentos foi perfeita para o filme, o visual do filme remete de forma bastante fiel as HQ’s é é facilmente encontrado os traços de Hergé na excelente composição gráfica dos personagens, o único 100% digital do filme é o cachorro Milú e que também se torna um personagem que além de adorável, bastante importante, bom, assim como sempre foi na HQ.
Enfim, As Aventuras de Tintim é o retorno de Spielberg a velha e boa forma, é uma aventura agradabilíssima e que só nos faz torcer pelo sucesso comercial do filme, já que ocorrendo assim, a parceria de Spielberg e Jackson tem a previsão de nos presentear com ainda dois filmes desse incrível personagem.
Sherlock Holmes 2: Mantém a mesma fórmula do anterior, a dupla Sherlock Homes e Watson investigando as ligações entre o professor Moriarty à diversos atentados a bomba . Esse novo filme tem mais ação e é mais divertido, o que é muito bom considerando que o anterior já era um bom filme. Moriarty como vilão também representa um novo desafio a Sherlock, de falho somente suas intenções nada originais.
Cotação: 8.0
Premonição 5: A franquia sempre foi famosa por suas mortes sempre muito plásticas e bastante gráficas, e os filmes sempre foram no mínimo razoáveis, com exceção do quarto que foi realizado com verba apertada e até os efeitos das mortes foram prejudicados. Nesse quinto filme a fórmula se mantém e adiciona-se a isso o final elegante fazendo um link com o primeiro filme.
Cotação: 6.0
Bridesmaids: É tudo aquilo que Sex and the City queria ser e não conseguiu, envolvente e engraçadíssimo. E a cena numa loja de vestidos de noiva é algo para rir durante horas. Elenco bem afinado, enfim, um filme que teria tudo para ser um fracasso e atingir somente um pequeno público em função de seu tema (solteirona encalhada sendo dama de honra da amiga e tendo uma crise em função disso) e acaba agradando a todos.
1) Retorno dos Lanterninhas, e se você acha isso antiquado, talvez porque esteja entre os adolescentes (e atualmente isso vai dos 14 aos 23 anos + ou -) que se comportam como crianças e vão ao cinema em turminha achando que aquilo é alguma balada e não param de falar e usar o celular o tempo. Alguns adultos também se comportam como idiotas no cinema falando o tempo, então para essa turma idiota, precisa de alguém para retirá-los da sala caso necessário.
2) Fechar COMPLETAMENTE o acesso as salas de cinema exatamente no horário de inicio da sessão, estilo prova da FUVEST, é irritante aquele grupo de 5 amigos que chega na sala já durante os trailers de um famoso filme e em sua semana de estreia e querem achar os 5 lugares disponíveis nas últimas fileiras, e ficam vários minutos andando e atrapalhando a visão de todos, querendo achar os melhores lugares no cinema, “querem mais o que senhores, pipoca e refrigerante grátis”.
3)A existência de cópias legendadas para TODOS os lançamentos internacionais, isso não é dizer que as dubladas não devam existir, e sim apenas que as legendadas JAMAIS devem desaparecer, como esta acontecendo atualmente.
4)Pessoas que saibam escolher o que assistir com antecedência. O que seria esse caso? Os cinemas atuais você pode comprar ingresso pela internet, por terminais ou diretamente na bilheteria, os cinemas dispõem de painéis informando os filmes em cartas e seus respectivos horários, fora a consulta que pode ser feita pela internet, mas ainda assim, temos pessoas que somente quando chegam a sua vez tanto na bilheteria quanto nos terminais, olham uns para os outros e perguntam “E ai, o que vamos assistir”. PQP, estavam fazendo o que na fila que não resolveram isso antes, seus idiotas. Ai demoram 10minutos para definir o que querem assistir, atrapalhado todos os demais da fila.
Como assisti a poucos filmes em 2011, dessa forma não consegui chegar a um top10 de melhores e piores, portanto a lista é somente daqueles que realmente acho que merecem destaque, seja ele positivo ou negativo.
Melhores filmes de 2011
1 – Cisne Negro
2 – Tudo Pelo Poder
3 – Inverno da Alma
4 – Meia Noite em Paris
5 – Harry Potter 7.2
6 – Bravura Indômita
7 – O Palhaço
8 – X-MEN – Primeira Classe
Piores filmes de 2011
1 – Amanhacer - Parte 1
2 – Transformers 3 – O lado Oculto da Lua
3 – Pânico 4
4 – Velozes e Furiosos 5
5 – Batalha de Los Angeles
5 – Piratas do Caribe – Navegando em águas misteriosas (esse com muito pesar, pois adoro os 3 anteriores)
FILMES VISTOS NOS ÙLTIMOS DIAS
Missão Impossível 4: É de longe o melhor filme entre os quatro feitos até agora, a direção de Brad Bird (famoso nas animações por Os Incríveis e Ratatouile) é segura, com cenas de ação bem elaboradas e com diversos momentos de humor muito bem distribuídos.
Cotação: 8.5
Tudo Pelo Poder (The Ides of March): Um dos melhores filmes de 2011, mostra de forma inteligente o jogo politico por trás de uma campanha politica e conta com diálogos inspiradíssimos. Atuações de George Clooney, Ryan Gosling e Philip Seymour Hoffman estão excelentes.
Lanterna Verde: O roteiro é certamente o ponto fraco, não precisa martelar tanto que o Hal Jordan tem medo e etc, isso ficou mais que claro, não era necessário repetir isso umas quinze vezes durante o filme. Outro problema é o vilão, sem personalidade alguma. No final sobra um um super herói com certo carisma e com a frase que gosto desde os quadrinhos “In brightest day, in blackest night ....”.
Cotação: 6.0
Cilada.com: Pra mim é fato que o Bruno Mazzeo e carismático e tem futuro como comediante, mas também é fato que Cilada.com nada mais é que um especial de uma hora e meia do sou programa de TV de mesmo nome. Fraco.
Cotação: 4.0
127 Horas: Ótima atuação de James Franco num filme irregular, tem um inicio muito bom e mostra de forma eficiente o problema vivido pelo rapaz, mas exagera em delírios e alucinações do protagonista chegando a ser chato em vários momentos.
Cotação: 7.0
Série que comecei a acompanhar
Depois dos dois últimos e fraquíssimos episódios de Dexter na sexta temporada, decidi seguir outras séries, comecei por duas.
A sete Palmos: Atualmente estou no quarto episódio e todos foram SENSACIONAIS. Promete. Assim que terminar uma temporada completa farei comentários mais detalhados.
Community: Atualmente no terceiro episódio, o inicio foi promissor, mas é preciso ver mais para ter uma posição.
Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse têm em comum o fato de serem filmes muito mail escritos e dirigidos e que também são baseados numa história fraquíssima que altera de forma até vergonhosa os padrões já estabelecidos do que é um vampiro. Mas apesar de todos os problemas apresentados, são ruins, porém toleráveis, o que infelizmente não posso dizer dessa primeira parte de Amanhecer, que é o final da saga e que foi dividido em dois longas. Os equívocos do filme são tantos, a falta de bom senso é tanta, que sinceramente não encontro um adjetivo para definir o quão ruim é esse filme.
Bella e Edward se casam e passam à lua de mel numa pequena ilha do litoral carioca, com a desculpa estapafúrdia de Bella que “não gostaria de passar a lua de mel sofrendo de dor”, ela decide não ser transformada em vampira antes de ter a tão sonhada noite de amor com Edward. Mesmo com o alerta de Jacob, Edward engravida Bella que passa a ter uma gravidez mais rápida que o normal onde o bebê passa a matá-la aos poucos, e que sabe-se lá porque (o porque digo uma explicação plausível, e não o “não sabemos que ameaça ele apresentará” dita pelos Lobos) os Lobos temem o tal bebê/coisa/filho-do-demônio e diversos outros adjetivos que o filme apresenta, de forma que tentarão mata-lomesmo que tenham que passar por cima de Jacob. O que mais espanta é que em uma cena o pai de Bella vê uma decoração na casa dos Cullens que é um tipo de quadro montado a partir de diversos chapéus de formatura, o que seria as diversas formaturas dos quais os Cullens teriam participado ao longo de suas longínquas vidas, mas continuam estúpidos como sempre “Carlisle isso pode acontecer? Não sei!”.
Os 45minutos iniciais de Amanhecer são no mínimo torturadores, o casamento, as tentativas de humor forçadas, a lua de mel, a descoberta da gravidez, é tudo feito de forma tão mal dirigida com uma trilha sonora tão enfadonha que rezamos para que algo ocorra porque aquele marasmo de explicações sem o mínimo de noção pode levar a muitos expectadores a deixarem a sala de exibição. Fora que, as crespusculetes fãs do Edward e dos filmes ou não entenderam o personagem ou apenas posam como “mulheres independentes”, mas no fundo gostam de serem tratadas como Amélias, porque nos filmes anteriores Edward já se mostrava um grande machista e nesse ele agride Bella fisicamente, depois da Lua de Mel a menina fica toda roxa, e novamente, não se pode aceitar as desculpas ridículas do roteiro como, ele não quis fazer aquilo, ele se arrependeu ou que por ser vampiro o desejo foi maior e ele não conseguiu se controlar, podem ver que isso também é a desculpa da grande maioria dos agressores de mulheres da vida real.
Stephenie Meyer que já mostrava nas histórias anteriores (em função de sua formação de mórmon praticante e pelo jeito bastante fanática) que era a favor de que as pessoas se mantivessem virgens até o casamento, já aqui ela mostra que independente do risco da gravidez para a vida mãe o aborto jamais pode ser levado em consideração, a mãe que morra e aceite seu destino. A mesma decisão é tomada por Bella, o que não é novidade, já que nos filmes anteriores ela já havia mostrado seus impulsos homicidas.
Enfim, Amanhecer é um filme que tirando os bons efeitos visuais, além de não ter uma história para se sustentar, irrita ainda mais por suas explicações estúpidas para quase todas as situações, em alguns momentos parece até que estão brincando de tão sem noção que são. Isso para não citar o tal “imprinting” que Jacob tem, aquilo deveria ser tratado como uma espécie de pedofilia, meu deus. O bom é que estamos apenas a mais um filme do final dessa tortura, o ruim é que estamos ainda a mais um filme do final dessa tortura.
Selton Mello tem umas das mais conhecidas filmografias da atualidade e creio que junto com Wagner Moura é o maior astro do cinema nacional. É daquele tipo em que ele se tornou maior que seus filmes, ele é o chamariz para a bilheteria, todos conhecem o talento do ator de ótimos filmes como ‘O Auto da Compadecida’, ‘O Cheiro do Ralo’, de filmes apenas razoáveis como ‘Jean Charles’ e de até filmes ruins como ‘Federal’ e ‘ Meu nome não é Johnny’. Mas em 2008 que Selton mostrou outra faceta de seu já vasto repertório, sua direção no melancólico e ótimo “Feliz Natal”, chamou a atenção e mostrou que além de um ator de primeira linha ele tinha futuro como diretor, e a excepcional direção de “O Palhaço” comprova que ele não teve sorte, ele é mesmo talentoso.
No filme Selton vive o palhaço Benjamim, que toca os negócios do circo Esperança junto com seu pai Valdemar (Paulo José), porém, a dura rotina de viagens, o pouco retorno financeiro da atividade e a incapacidade de resolver problemas simples do dia a dia, levam Benjamim a duvidar de seu futuro como palhaço, a duvidar de sua profissão.
Nesse momento o filme apresenta uma metáfora das mais interessantes, desde o inicio vemos Benjamim apenas apresentar uma certidão de nascimento velha quando pedem por sua ‘identidade’, é a única coisa que ele tem naquele momento, é um cidadão sem identidade. E quando Benjamim deixa o circo, mesmo que de forma temporária é quando ele de fato encontra/recebe sua identidade, uma de forma literal, o documento, a outra de forma empírica, ele percebe suas experiências e reconhece aquilo que mais o encanta, fazer os outros rirem, é o reencontro do artista com sua arte.
Por mais que a mensagem de “O Palhaço” seja seu argumento mais forte, são seus personagens que levam todos a se apaixonarem pelo filme, a dificuldade diária dos artistas que mesmo não tendo o retorno financeiro que merecem e se entregam de corpo e alma a seus ‘personagens’, é isso que encanta. E nada disso seria verossímil se não tivéssemos atores competentes para isso, Paulo José esta magnifico como o palhaço Puro Sangue que faz dupla com o Pangaré de Benjamim. Mas de fato é Selton Mello que rouba a cena, sua composição é a melhor que já vi em sua carreira, suas pausas, a fala mansa, a expressão de cansaço, de conformismo, até seu sorriso discreto, porém revelador, quando ouvindo uma piada seu personagem descobre que ser palhaço é sua vocação, isso é atuação de primeira.
Enfim, O Palhaço é um belo filme, um belo estudo de personagens, é sobre reencontro do artista com sua paixão, e mesmo que o trecho onde Benjamim realmente descubre sua identidade tenha sido talvez muito simplista, O Palhaço, é um filme que emociona e que coloca o cinema brasileiro em nível absolutamente elevado.
No geral gostei do que vi, mas bem no geral. Achei que a Weta Digital fez o melhor que pode para deixar os macacos digitais o mais real possível, em alguns momentos é difícil acreditar que estamos diante de um ser digital, já em outros momentos somos lembrados disso em função de movimentos irreais.
James Franco não empolga, mas também não decepciona, embora seu romance com a personagem de Freida Pinto seja artificial ao extremo. Mas se tem algum ator de carne e osso que rouba a cena, esse é o excelente John Lithgow, já o achava um bom ator, sua participação primorosa na quarta e melhor temporada de Dexter me fizeram virar um fã, bela composição.
Enfim, Planeta dos Macacos é um bom filme, mostra uma origem realmente interessante, mas que parece sofrer de certa falta de empolgação, é um filme tecnicamente impecável e emocionalmente fraco (com exceção das cenas com John Lithgow).
Muitos filmes têm problemas de identidade, tentam copiar de forma descarada algo que já foi feito anteriormente, e pior, tentam esconder esse fato. Só por não fazer isso, “Quero Matar meu Chefe” já ganha pontos, já que em nenhum momento o filme tenta esconder de onde vieram às idéias que deram vida a seu roteiro, e não fazem referencia não, citam de forma verbal o suspense “Pacto Sinistro” de Hitchcock e a “Joguem a Mamãe do Trem” de 1987.
O trailer já entrega praticamente toda a história do filme e a maioria das boas cenas, sobrando apenas algumas adicionais envolvendo Kevin Spacey e um momento hilário quando os três subordinados tentam se esconder ao lado de fora da garagem da casa do personagem do Colin Farrel. No final acaba por ser um filme previsível, porém que vale a pena a curtição.
Cotação: 7.0
Os Smurfs tem o problema de ser demasiadamente infantil. Creio que deveriam ter aprendido um pouco com a pixar, que consegue fazer excelentes animações e que agradam tanto a adultos como a crianças (Toy Story, Ratatouile, Os Incríveis e etc). Porém mesmo tendo uma história simples, aliás, muito simples, é difícil não pensar na fala do personagem do personagem do Neil Patrick Harris e que também aparece no trailer que é “não se deixe levar pela fofura deles” e isso é praticamente impossível, Smurfete, o desastrado, o Locutor, Papai Smurf e etc, são todos simpáticos demais. E vale destaque para em cena na qual Neil Patrick toca guitarra enquanto os Smurfs imitam os Beast Boys. Enfim, simples e infantil em excesso, porém ainda assim satisfatório.
Jamais li uma única HQ do Capitão América, mas obviamente conhecia a história do super soldado, que utilizava roupa e escudo com as cores da bandeira estadunidense. Nunca fui nenhum radical anti-EUA, porém sempre me irrita como todos os cidadãos (incluindo toda a mídia e meios artísticos) de lá se intitulam como “americanos” ou até mesmo como chamam o país de “América” tomando posse do nome do continente e esquecendo-se de uma importante parte do titulo do país “Estados Unidos da América”. Sendo assim gostei da humanização que o filme utiliza para tratar o personagem, os ideais de Steve Rogers soam comuns, normal de um garoto que esta vendo amigos indo para a guerra e arriscando a vida pelo país, sem forçar o patriotismo exacerbado.
Ambientado nos anos 40, antes de virar o super soldado, Steve Rogers (Chris Evans) era um garoto franzino com um histórico médico complexo e uma debilidade física bastante aparente, o que resulta em diversas dispensas do alistamento militar, algo que ele perseguia com muito afinco. Ao perceber o bom caráter e determinação do rapaz, o cientista Dr. Erskine (Stanley Tucci), vê a chance de utiliza-lo como uma nova cobaia em seu projeto que tenta criar um exército de super soldados para os EUA, já que no passado e sob ameaça de morte, tal projeto do Dr. Erskine havia dado errado e criado o vilão Caveira Vermelha (Hugo Heaving) no lado nazista.
A história de vida de Steve Rogers tira qualquer visão patriota exagerada do personagem, até mesmo o uniforme do Capitão América ganha contornos de realidade ao sabermos que o mesmo de inicio era apenas uma fantasia com o intuito de fazer propaganda para aumentar o alistamento militar na terra do tio Sam e há de se lembrar que estavam em plena 2º Guerra Mundial, e enfim, Chris Evans consegue uma atuação eficiente, longe do canastrão típico de suas atuações anteriores. E se toda a criação e desenvolvimento do Capitão América é bastante satisfatória, o mesmo não se pode dizer do vilão, Caveira Vermelha, sendo no máximo uma versão caricata de um vilão nazista, sem a menor inspiração, fato esse que se comprova por mal sabemos direito quais são os planos do vilão, OK, ele quer destruir várias cidades do mundo, mas irá fazer o que depois disso? Quais suas ambições caso seu plano (que não sabemos qual) dê certo?, nada disso fica claro.
Os personagens que cercam o Capitão América também são interessantes, a bela Peggy Carter (Hayley Atwell) não soa como um interessante romântico forçado, e Howard Stark (Dominic Cooper) demonstra traços de personalidade e de genialidade idênticos de seu futuro filho, o Homem de Ferro. Mas dos coadjuvantes, quem realmente rouba a cena é o Coronel Phillips (Tommy Lee Jones), além de utilizar de forma perfeita a caracterização rabugenta de Jones, o Coronel é responsável pelos melhores momentos cômicos do filme (“Eu não irei lhe beijar também”). Já os efeitos especiais são eficientes e perfeitos ao utilizar a mesma técnica usada em “O Curioso Caso de Benjamin Button” para criar Steve Rogers franzino e magro, mas também falha ao criar cenas de ação incrivelmente falsas para um filme com orçamento desse tamanho.
Enfim, Capitão América tem vários problemas e o mais grave deles fica por conta de seu vilão nada convincente, mas pelo menos nos apresenta ao personagem que desde já deixa certa expectativa para vê-lo não somente trabalhar, mas também liderar uma turma composta por Tony Stark, Thor, Bruce Banner, Gavião Arqueiro e companhia. Que venham os Vingadores em 2012.
Não me lembro e creio que o cinema jamais teve uma história contada através de oito filmes em 10 anos. A série Harry Potter que começou em 2001 com “A Pedra Filosofal”, um filme bem realizado, com um clima leve, juvenil, creio que já no terceiro filme, “O Prisioneiro de Azkaban” a série inicia seu período rumo a um clima mais sombrio, mais sério, onde começam a perceber de fato o risco de toda a situação contra Voldemort e é nesse episódio, que ainda continua como um dos meus favoritos, em que o trio principal é mais bem desenvolvido. Até chegarmos de fato em “As Relíquias da Morte” que foi sabiamente dividido em dois filmes, onde obviamente existiu o interesse financeiro por trás disso, porém tal divisão também ficou perfeita do quesito artístico da série, com a parte 1 sendo bastante corajosa por focar no clima tenso que o momento necessitava e com a parte 2 ficando com toda a ação e conflito e com a responsabilidade de finalizar a série mais lucrativa da história do cinema de forma satisfatória, e como é bom ter presenciado que isso ocorre de maneira perfeita.
Na parte 1 de As Relíquias da Morte, o trio, Harry, Hermione e Ron, iniciaram a busca pelas Horcruxes e na parte 2 essa busca continua com a adição do fato que Voldemort descobre o plano do trio e a inevitável e já anunciada guerra, ocorre nos muros da sempre imponente Hogwarts. E isso é mais do que suficiente para criar uma história totalmente amarrada, bem construída e que levará muitas pessoas a sentirem o pesar, pelo fato de que não teremos mais as aventuras pelo mundo magico de Harry Potter.
O cineasta David Yates que assumiu o posto de diretor desde “A Ordem da Fenix”, mostra que mais no que ninguém já conhece aquele mundo e toma decisões que podem não ser as mais populares, porém bastante corajosas, num filme onde várias e importantes mortes terão que ocorrer, o diretor opta de forma absolutamente consciente em não perder tempo com a dramatização dessas mortes o que em certo momentos até impressiona pelo “sangue frio”. Também e importante destacar o belo roteiro de Steve Kloves, que foi o roteirista de praticamente toda a série, só não esteve na posição em “A Ordem da Fenix”, seu texto ajuda a Yates a correr com a história sem que deixe nada de importante pra trás, ou seja, o filme tem sim um senso de urgência, porém realizado de forma bastante organizada. Mas o que mais chama atenção no roteiro é a forma como, mesmo um filme tão sombrio num momento de guerra, consegue inserir de forma tão orgânica diversos momentos de alivio cômico.
É impressionante como todas as decisões em Harry Potter parecem ter sido minuciosamente discutidas, tudo é muito bem estudado, da trilha sonora que enfoca o momento de batalha sem parecer manipulativa, passando bela fotografia que utiliza uma paleta acinzentada e escura para ilustrar da melhor forma possível o momento de tensão vivido por todos.
E se tem algo que a série pode se vangloriar é de seu elenco, entre papéis importantes e algumas pontas, que filme não se gabaria em ter em seu elenco, Michael Gambon, Helena Bonham Carter, John Hurt, Ciarán Hinds, Maggie Smith, Jim Broadbent e Emma Thompson. Mas obviamente temos alguns destaques, Ralph Fiennes torna o Lorde Voldemort assustador e é sempre bom ter um vilão que realmente apresente uma ameaça real, mas ainda assim o destaque fica para a belíssima composição de Alan Rickman para o Professor Severo Snapes, Rickman tem o controle total do personagem e é perceptível como ele controla todas as emoções de pelo timbre de sua voz e pausas em seus diálogos. E obviamente chegamos ao trio principal, todos se desenvolveram como atores assim como seus personagens ganharam mais responsabilidades nos filmes, sendo assim Rupert Grint, Emma Watson e Daniel Radcliffe mostram com extrema competência a evolução necessária para que seus personagens demonstrem de forma real seus medos, dúvidas e coragem quando necessária.
São 130 minutos de duração que passam de forma muito rápida, e quando isso acontece é sinal que tivemos uma história muito bem contada, esse último episódio deve ser um filme complicado para assistir para quem não tenha familiaridade com a série e que não tenha assistido aos filmes anteriores, já que ficarão confusos por não saberem de feitiços, truques e personagens dos filmes anteriores que aqui voltam a ter papéis importantes. Um personagem em especial tem um “retorno” mais do quem bem feito, Neville, passa do garoto tímido e inseguro dos filmes anteriores a um adolescente proativo e corajoso e ainda é responsável por grande parte dos momentos cômicos do filme.
A série sempre contou com o mundo mágico dos bruxos como um chamariz para o filme, os feitiços, a bela Hogwarts, os sempre eficientes efeitos visuais, mas isso nunca foi de fato o que levou milhões de fãs a se apaixonarem pela série, mas sim, seus personagens, suas vidas, suas histórias, suas angústias, suas dúvidas, seus momentos de medo, de felicidade, sua inocência e a perda da mesma. Sendo assim “As Relíquias da Morte – Parte 2”, termina dando total ênfase para o trio que foi responsável por tudo isso, Ron, Hermione e Harry, tudo termina com o close dos três, e como foi bom ter acompanhado esses personagens por tanto tempo, foram 10 anos que se passaram muito rápidos, mas termina com um sentimento enorme de satisfação. Só tenho uma coisa a dizer, obrigado “Harry Potter”.
Sendo bastante otimista, o primeiro foi no máximo razoável e esse é o maior elogio que consigo dar aquele filme, dois anos depois tivemos o segundo filme e esse nem razoável pode ser utilizado para descreve-lo já que seria um baita de um elogio para um filme tão ruim, algo que o próprio diretor Michael Bay reconheceu depois, sendo assim ainda fui ingênuo o bastante em achar que poderiam fazer algo melhor num terceiro capitulo, ledo engano, Transformers 3 tem tudo que tornou os filmes da série tão ruins, ritmo frenético, cansativo, roteiro confuso, péssimas atuações e etc.
Logo de cara vemos o patético inicio, que nos leva até o envio do homem a lua na apollo 11, para descobrirmos que na guerra por Cybertron, uma nave dos Autobots com uma importante tecnologia caiu no lado escuro da lua. Nesse momento Bay realiza as sequencias mais constrangedoras de sua já irregular carreira, ao tentar mesclar imagens reais de arquivo, principalmente do presidente Kennedy, com estúdio, para tentar dar mais realidade ao que apresenta. Depois voltamos aos dias atuais onde Sam (Shia LaBeouf) ainda se encontra desempregado depois de ter salvo o mundo por duas vezes e também somos apresentados a sua nova namorada Carly (a modelo da vitória secrets , Rosei Huntington-Whiteley).
Megatron, que aparece ridiculamente como uma espécie de refugiado ou algo parecido, elabora um plano, para tomar posse da tecnologia dos Autobots e assim trazer Cybertron a vida novamente e escravizar os humanos. E isso é toda a história do filme, que no final acaba não tendo a mínima importância, transformers parece ser no máximo uma propaganda do poder em criar efeitos visuais da Industrial Light and Magic, já que pelo menos esse quesito do filme é irretocável.
Além da direção capenga de Bay, que pelo menos dessa vez, creio que em função do 3D, ficou mais econômico em seus cortes frenéticos, já que dessa vez na maioria dos casos, conseguimos saber qual robô esta batendo em qual, ao contrário do que aconteceu nos anteriores, temos também o roteiro, que em certos momentos cria diálogos ou monólogos que lembram as novelas globais, já que em muitos momentos certos personagens ficam praticamente recitando seus planos em voz alta, já que o roteiro não tem a menor ideia de como faze-lo de forma natural.Isso pra não citar o romance totalmente falso e sem química entre Sam e Carly, alias a atuação da modelo Huntington-Whiteley, faz a péssima Megan Fox parecer uma veterana em cena.
Apesar dos ótimos efeitos visuais, é irritante a decisão do cineasta em fazer os robôs com características humanas, já que eles têm cabelos grisalhos, sim, isso mesmo, sangram, babam, é patético. Ainda temos as lutas do Optimus prime que são exatamente iguais nos três filmes, ou seja, os decepticons ‘normais’ são dilacerados facilmente por ele e na luta final com Megatron ou outro vilão ele apanha bastante antes de realizar algum novo golpe e derrotar seu oponente, o que sempre nos faz pensar porque ele não fez isso anteriormente, lembra bastante “Velozes e Furiosos” onde sempre existe mais um pouquinho no curso do acelerador para ser pisado.
Enfim, Transformers 3 é cansativo, longo, previsível em todos seus momentos, tem um roteiro que parece ter sido escrito por um adolescente e infelizmente pelo sucesso nas bilheterias não será o último, ruim para o cinema, mas ótimo para os cofres do estúdio, uma pena.