INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL

Ao falar de Indiana Jones é praticamente impossível não compará-lo ou até mesmo fazer um resumo dos anteriores, talvez Indy seja um dos primeiros exemplos de filmes onde o protagonista é mais importante do que direção, roteiro e etc, até porque a simpatia do personagem era a chave de toda a série, devido essa ampla identificação sequer conseguíamos reconhecer nele o que muitas vezes o era, um americano quase ladrão de culturas estrangeiras, é só pensarmos, porque um artefato de cultura indígena deveria ficar em um museu nos EUA e não seu local original?. A produção feita na época homenageando as produções tipo B, caiu como uma luva para a trilogia que viria a seguir, e a própria natureza do personagem se saiu melhor com esse tipo de produção, Indy foi sempre um herói carismático, e real, não era raro que ele tomasse decisões precipitadas e não soubesse o que fazer até mesmo segundos antes de poder morrer. E esse hiato de praticamente 19 anos desde sua última aparição em A Última Cruzada fez com que Indy ganhasse status mitológico dentro do cinema, virou sinônimo de filme de ação com qualidade e até gerou alguns primos que beberam em sua fonte e realizaram filmes interessantes também, como Piratas do Caribe.
Sendo assim chegamos no atual Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, desta vez a ameaça não é nazista e sim comunista, o filme se passa em 1957 no auge da Guerra Fria, onde agentes da KGB estão em solo americano a procura de uma tal caveira de cristal que pode dar a eles poderes paranormais; e obviamente em algum momento Indy entrará no caminho deles e tentará possuir a caveira antes, a explicação é breve, mas não é, ou melhor, não deveria ser um problema para o desenvolvimento do roteiro, já que em tese é parecida com o argumento inicial de Os Caçadores da Arca Perdida que se trocarmos a caveira pela Arca da Aliança e os Soviéticos por Nazista teríamos as mesmas premissas iniciais, a grande diferença está no desenvolvimento do roteiro. Aliás fãs da série tiveram muitas preocupações enquanto a produção desse quarto filme estava em sua fase inicial, todos receberam receosos a noticia de que somente George Lucas não havia aprovado o roteiro escrito por Frank Darabont e insistiu que um roteiro fosse escrito a partir do argumento que ele escreveu junto com Jeff Nathanson e ficou a cargo de David Koepp essa missão.
Como já disse anteriormente o grande achado da criação do personagem foi o ter feito o mais real possível, mesmo diante de situações absurdas, Indy nunca tinha certeza absoluta de que seus planos dariam certo e quando davam era facilmente perceptível em seu rosto a expressão de surpresa e isso se perdeu nesse filme, os atos sempre parecem calculados demais e com a certeza do sucesso no final. E a trama central da caveira de cristal também foge as anteriores por se mostrar aparentemente complexa, mas depois percebe-se que na verdade era apenas ruim e mal desenvolvida mesmo, se você não conseguiu entender o verdadeiro significado da caveira não foi por falta de observação ou inteligência é porque o roteiro é preguiçoso e não explica mesmo.
Com relação ao elenco temos alguns acertos e muitos desperdícios, ao trazer o jovem Mutt (Shia LaBeouf) para balancear com Harrison Ford, Spielberg chega perto de criar a atmosfera existente entre Indy e seu Pai (Sean Connery) em A Última Cruzada, porém nunca com a mesma competência de outrora, Marion (Karen Allen) obviamente sempre foi a personagem feminina mais forte de toda a série e é bom tê-la de volta, John Hurt como o professor Oxley cria um personagem interessante devido seu estado em transe e ao mesmo tempo serve como alívio cômico em algumas cenas, vide sua engraçada reação quando Indy o manda buscar ajuda. E até chegarmos na vilã Irina Spalko, talvez uma das piores atuações de Kate Blanchet, com sua peruca channel preta, cria uma vilã caricata por todo tempo de projeção, até seu sotaque parece ter vindo de inspiração de Borat.
Porém não estamos falando de um filme qualquer, mas sim de Indiana Jones, e qualquer 10 ou 20 minutos de bom filme o tendo como protagonista é melhor do que horas de projeção de outros filmes, e nesse quarto episódio nem tudo está ou foi perdido, temos cenas que se não salvam o filme, pelo menos não o fará ter a sensação de ter perdido dinheiro.
Um dos fatores que muitos julgaram ser o maior empecilho para realização do filme mostrou-se o melhor argumento para fazê-lo, ou seja, a idade de Harrison Ford, o roteiro não poupa momentos para brincar com a idade de Indy e na cena inicial do galpão quando não consegue alcançar um jipe com seu chicote e solta a frase “pensei que estava mais perto”, só ela já valeria o ingresso, e sabendo da grande expectativa do público em ver o personagem em ação novamente Spielberg foi inteligente ao revelá-lo aos poucos, primeiro o chapéu, depois a silhueta e enfim Indiana Jones com a o tema de John Williams de fundo, o que fez com que o coração de muitos fãs palpitasse mais rápido nesse momento, e logo depois temos a cena impagável do sorriso sarcástico de Indy ao perceber que a Vilã tentava ler sua mente.
As cenas de ação são mais pragmáticas que nos anteriores, jamais chegando perto do clímax que já alcançaram anteriormente, mas a cena inicial do galpão, que aliás vimos de relance a Arca da Aliança do primeiro filme, é uma seqüência bem realizada, assim como a perseguição de moto pela cidade e também quando Indy e Mutt são atacados por nativos e Indy se antecipa a um deles, e as referencias aos filmes anteriores aparecem a todo tempo e agradam, uma delas é a rápida aparição da Arca, depois a que talvez seja a mais engraçada de todo o filme, quando vemos novamente Indiana de frente com uma serpente mostrando mais uma vez sua fobia a esse animal, e a seqüência da queda nas cachoeiras, que inicialmente achei absurda, mas depois me dei conta que de fato era uma homenagem a uma parecida com essa logo depois da abertura de O Templo da Perdição, a única diferença e como já citado, é que anteriormente Indiana Jones se apavorava com a chegada do penhasco, neste pareceu uma queda normal.
Enfim, infelizmente Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, deixa um resquício de decepção por sabermos que o potencial do filme não foi alcançado em sua plenitude, porém o clima de nostalgia de ter visto o personagem em ação novamente ainda é mais forte que a decepção, e eu realmente gostaria de vê-lo em ação novamente.
Cotação: 7.0
Escrito por wendell-andrade às 15h54
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