O INCRÍVEL HULK

 

Depois do sucesso das adaptações de X-MEN em 2000 e de Homem Aranha em 2002, os superheróis de histórias em quadrinho entraram definitivamente na rota das grandes produções de hollywood e embora muitos deles tivessem um excelente desenvolvimento de personagens, como as duas adaptações já citadas, a grande aposta dos estúdios para levar o público jovem a lotar as salas de cinema eram as grandes e bem elaboradas cenas de ação, e o Hulk de 2003, foi um dos primeiros a inverter esse sentido, sim, ele tinha boas cenas de ação, mas todos seus principais momentos aconteciam em outras situações, como na complicada relação pai e filho, tanto de Bruce Banner como de Betty Ross, isso obviamente ocorreu pelo fato da direção ter ficado a cargo do diretor taiwanês Ang Lee (Brokeback Mountain), sempre acostumado a desenvolver dramas para o cinema.

 

Nesse novo Hulk, temos algumas alterações, a maneira que Bruce Banner ( Edward Norton) é exposto ao raios gama difere do anterior, assim como os efeitos da transformação, como Banner não tinha o menor controle depois de transformado e colocava em risco a segurança das pessoas, decidiu-se por se esconder e tentar desenvolver uma cura que impedisse a transformação, e esse inicio do filme onde ele se encontra foragido na favela da rocinha no Rio de Janeiro é de longe o melhor momento do filme. Nesse momento temos alguns acontecimentos inicialmente inexplicáveis, não consigo entender porque alguns moradores da favela como Rickson Gracie, que ajuda Banner a controlar seus instintos, fala português normalmente e outros, como o careca da fábrica de refrigerantes tem um português dublado e falso. E também é de se lamentar que somente um filme americano de super herói consiga fazer um plano aéreo onde realmente conseguimos ter noção da amplitude e vastidão das favelas cariocas, nenhum filme,  série, novela ou reportagem da TV nacional conseguiu realizar algo sequer parecido.

 

É nesse primeiro ato passado no Rio de Janeiro que Banner se transforma no Hulk pela primeira vez, após ter sido rastreado pelo General Ross (William Hurt) e localizado na favela. Conseguindo fugir mais uma vez e de volta aos EUA, Banner vai atrás do cientista Samuel Sterns ou Mr. Blue (Tim Blake Nelson) o qual o ajudou a pesquisar os antídotos que fariam Banner inibir as mutações da contaminação Gamma em seu sangue. É também nesse momento que temos o mesmo conflito psicológico que tínhamos no Hulk de Ang Lee, ou seja, o relacionamento de Betty (Liv Tyler) e o General Ross, seu pai.

 

E se tem algo em que esse novo Hulk é superior a versão de 2003, é seu vilão principal, Emil Blonsky (Tim Roth), antes da transformação no Abominável, é um soldado frio, calculista e muito ameaçador, pena que o mesmo não aconteça com os outros personagens que também estavam no filme anterior, caso de Liv Tyler que faz uma Betty que jamais convence como doutora e cientista, ficando longe da excelente atuação de Jennifer Connely em 2003, assim como General Ross de William Hurt não tem a mesma virilidade do interpretado por Sam Elliot. Já Banner, dessa vez interpretado por Edward Norton, em alguns momentos consegue passar um peso dramático ainda maior que o de Eric Bana, sua degradação física após as transformações realmente fazem parecer que o monstro verde é uma maldição na vida dele.

 

Agora o curioso é que a atual adaptação tentou se diferenciar o máximo do filme cabeça anterior e tentou focar mais na ação do personagem, mas os melhores momentos do filme, seu primeiro e segundo ato, são justamente aquele em que o filme mais se aproximou da versão anterior. O roteiro escrito por Zak Penn que tem no currículo bons roteiros como o de X-MEN 3 e X-MEN 2, mas também bobeiras como Quarteto Fantástico e Elektra, faz um trabalho consistente, ainda mais que Edward Norton, um fã confesso de Hulk, revisou e reescreveu parte do roteiro, da mesma forma é a direção do Francês Louis Leterrier, que jamais realiza algo parecido com o visual concebido por Ang Lee e suas divisões de tela do filme anterior.

 

A única grande decepção do filme é exatamente seu momento mais esperado, ou seja, o confronto Hulk versus Abominável, Blonsky conseguia ser mais ameaçador como um soldado comum do que depois que se transforma na aberração, e as cenas de ação são burocráticas, sem nada de novo. Nesse ponto também chegamos a algo impossível de deixar de comparar, o Hulk digital do filme anterior foi muito criticado, porém sempre o achei muito bem realizado, embora sempre deixasse claro que era um efeito especial, o boneco digital do atual difere, é menor, tem um tom de verde mais escuro e fosco, mas também é convincente.

 

Enfim, Hulk, conseguiu uma proeza, fez um filme inicial que optou for estudar mais os personagens e deixar a ação para um segundo plano, e depois partiu para o oposto no segundo filme e conseguiu bons resultados em ambas as produções, ainda tenho uma simpatia maior pelo filme de Ang Lee, mas não há como negar que o atual manteve o nível interessante, e assim como no único bom momento da luta entre Hulk e o Abominável, eu tenho que concordar “Hulk Esmaga”.

 

Cotação: 8.0

 

P S: No final ainda temos a participação de Tony Stark onde ele menciona a criação da SHIELD, o que só enriquece o conteúdo do filme.

 



Escrito por Escrito por Wendell às 20h53
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