O CAVALEIRO DAS TREVAS

 

Ver O Cavaleiro das Trevas uma semana depois de sua estréia no Brasil foi mais difícil do que se o tivesse visto logo em seu primeiro dia em cartaz, isso porque, diante dos comentários sempre positivos a respeito do filme e sempre muito elogiosos ao desempenho de Heath Ledger como o Coringa, todos esses fatos levaram a expectativa com relação ao filme ir às alturas, e tamanha expectativa pode causar muita decepção caso o filme não corresponda a altura, vide o exemplo de Indiana Jones 4, felizmente com Batman não temos esse problema, já que resumindo e uma única palavra, O Cavaleiro das Trevas é um filme excepcional.

Como já havíamos comprovado no anterior Batman Begins, o diretor Christopher Nolan reinventou a franquia, mas de uma maneira mais séria e mais sombria, muito diferente dos primeiros filmes dirigidos por Tim Burton que tinha uma proposta totalmente diferente, muito mais leve e divertida, o que impossibilita uma comparação justa entre as adaptações, note que nem citei os dois filmes do morcego, dirigidos por Joel Schumacher, já que são tão desconexos e tão ruins, que prefiro nem comentar a respeito. Em Cavaleiro das Trevas, Gothan tem uma aparência mais segura, comparada a vista em Batman Begins, somente a possibilidade de o Homem Morcego estar por perto já faz com que vários bandidos evitem cometer delitos, porém sua figura justiceira, fez muitos anônimos se disfarçarem de Batman para fazer justiça com as próprias mãos, o que obviamente colocava a vida de todos em perigo. Assim tanto Batman como O tenente Gordon (Gary Oldman) ganham a ajuda do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart) que não mede esforços para colocar qualquer tipo de delinqüente atrás das grades. Porém todo esse senso de justiça tem seus efeitos colaterais, já que cansados de serem surpreendidos por Batman e pelas autoridades de Gothan, os Mafiosos se rendem ao apelo de uma figura enigmática e insana para continuarem a lucrar com atividades ilegais, e essa figura obviamente é O Coringa.

Claramente percebemos o esforço de Nolan para deixar o filme o mais real possível, tanto que realmente acreditamos na figura de um justiceiro disfarçado de morcego e de um criminoso fantasiado de palhaço, e quando disse que os novos filmes eram mais sérios e sombrios, esse conceito em O Cavaleiro das Trevas vai a um nível máximo, é impressionante o conflito psicológico vivido por Bruce Wayne, que procura aposentar a figura do homem morcego e levar os criminosos para a cadeia através do sistema normal, dessa forma é muito convincente sua crença em Harvey dent. E é exatamente essa noção do que ele representa, que faz de Bruce Wayne um sujeito complexo, e seu diálogo com Lucius Fox (Morgan Freeman) a respeito de uma tecnologia que daria a ele o poder de vigilar todos os habitantes de Gothan é marcante. Sendo assim, somente um sujeito que tivesse características parecidas, mesmo que usadas para propósitos conflitantes, que poderia criar um adversário a altura, e acreditem quando digo que Batman nunca enfrentou ninguém com tamanha destreza como esse Coringa.

A performance totalmente insana que Heath Ledger faz do Palhaço, é assustadora, cada vez que O Coringa está em cena já sentimos um frio na barriga por sabemos que algo ruim irá acontecer, e o fato de ninguém saber a origem e o que o motiva, o torna mais perigoso. Já Harvey Dent representa o destino mais trágico do filme, já que era bastante confiável seus ideais de realmente deixar Gothan um lugar mais seguro, e uma frase sua em certo momento do filme define seu destino com precisão “em Gothan ou morremos heróis, ou vivemos o suficiente para nos vermos tornar o vilão”. Rachel Dawes, dessa vez interpretada por Maggie Gyllenhall, tem poucos momentos, mas um papel importante.

Mas o que move o filme é mesmo o confronto histórico entre Batman e o Coringa, inicialmente o homem morcego o ignora por achar que seria somente mais um criminoso e que não merecia maiores atenções no momento em que ele estava prestes a colocar toda a máfia atrás das grades, porém a escalada de violência surgida pelas ações do Coringa, o colocam como principal e mais difícil oponente que Batman já teve e assim como Harvey Dent, O Coringa também solta uma frase que descreve perfeitamente o confronto com Batman “Isso é o que acontece quando uma força descomunal encontra um objeto irremovível”.

Enfim, O Cavaleiro das Trevas representa outro nível para os filmes de super heróis, onde a realidade e a seriedade fazem o filme alcançar um patamar jamais atingido, e ainda nos momentos finais fazer o herói assumir a postura de vilão por um bem maior é impressionante, é sem dúvida o melhor filme desse gênero já feito até hoje, e voltando a palavra inicial, simplesmente, excepcional.

 

COTAÇÃO: 9.5

 

 

 



Escrito por Escrito por Wendell às 23h24
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